Primeiro debate entre candidatos ao Governo do Tocantins marca embates sobre saúde e gestão pública
Seis candidatos ao Governo do Tocantins participaram, nesta terça-feira (18), do primeiro grande debate eleitoral das eleições de 2026, realizado nos estúdios da Rádio Hits FM e Record News, em Palmas, com transmissão para mais de 60 emissoras associadas à FARCON, além da Rede TV Tocantins e AVCON. Professora Dorinha (União Brasil), Vicentinho Júnior (PSDB), Laurez Moreira (PSD), Ataídes Oliveira (Novo), Professor Witer Naves (PSOL) e Du Pereira (DC) se enfrentaram ao longo de cinco blocos, com trocas de críticas e embates sobre saúde, educação, segurança pública, economia e infraestrutura. A eleição está marcada para o dia 4 de outubro.
As apresentações
Cada candidato teve dois minutos para se apresentar. O Professor Witer Naves (PSOL) destacou os 31 anos no Tocantins e a primeira candidatura ao Executivo.
“Eu estou aqui como candidato a governo para mostrar nosso plano de governo. Essa é a primeira vez na história da minha vida que eu me candidato a uma candidatura do executivo.”
Vicentinho Júnior (PSDB) se apresentou como deputado federal no terceiro mandato, nascido em Porto Nacional, e afirmou ter percorrido os 139 municípios.
“Eu sou o Vicentinho Júnior, cristão, pai de quatro filhos, marido da Gil, estou no terceiro mandato como deputado federal. Em todo esse tempo, tive a oportunidade de percorrer os 139 municípios do nosso estado.”
Du Pereira (DC), empresário natural de Rondônia, disse ter conhecido os 139 municípios em dois anos e se colocou como opção de renovação.
“Estou aqui para trazer propostas para o Tocantins, propostas novas. Hoje eu me considero um tocantinense de coração, um tocantinense efetivo nesse estado.”
A Professora Dorinha (União Brasil) lembrou a chegada ao estado há mais de 35 anos, a implantação da universidade em Arraias e os mandatos de secretária de educação, deputada federal e senadora.
“Acredito que a política é um instrumento de transformação. O Tocantins pode e deve ser bom para todo mundo, investindo na educação, investindo na saúde pública.”
Laurez Moreira (PSD) contou a trajetória de origem rural em Gurupi, onde foi prefeito.
“Nasci na zona rural, sou irmão de uma família de 10 irmãos. Oito nasceram com parteira porque não tinha médico na região.”
Ataídes Oliveira (Novo) citou a geração de 100 mil empregos como empresário e definiu como “três cânceres” a corrupção, os favores políticos e a má gestão.
“Eu tenho o prazer de dizer que eu já gerei 100.000 empregos de carteira assinada neste país. Eu estou pronto para enfrentar esses três cânceres que tomou conta do nosso estado: a corrupção, os favores políticos e a má gestão.”
Embates diretos
O confronto mais acirrado envolveu Ataídes Oliveira e Vicentinho Júnior. Ataídes questionou a movimentação financeira de uma empresa da esposa de Vicentinho e sua formação acadêmica.
“Eu não estou falando aqui de 20 milhões de emenda que o senhor mandou para Bahia e Ceará. Eu tô falando dos 85 milhões de reais que movimentou na conta da senhora, sua esposa. Extrato bancário.”
Vicentinho negou irregularidades, disse ter sido inocentado e lançou um desafio.
“Eu renuncio hoje à minha candidatura ao governo do estado do Tocantins e lanço ao senhor o mesmo desafio. Apresente a minha condenação ou em que fato eu sou indiciado. Se eu não apresentar, o senhor ou quem quer que assim eu faça essa narrativa falaciosa também renunciaria?”
Na réplica, Ataídes respondeu: “O senhor está sendo investigado, ainda não condenado, não é?” Na tréplica, Vicentinho atacou:
“Tô vendo que o senhor é muito ruim e preguiçoso para fazer leitura. Em minha biografia não tem a formação de engenharia civil. Eu tenho uma construtora estradeira engenharia, foi ali que eu comecei, com meus 20 anos de idade.”
No embate sobre saúde, Vicentinho perguntou à Professora Dorinha quais propostas concretas ela apresentava para o setor. Ela citou obras em andamento e o concurso público após mais de dez anos.
“O Tocantins avançou sim na área da saúde com muitos investimentos, obras que estão em andamento. Há mais de 10 anos na área da saúde não tinha um concurso realizado para os profissionais da saúde.”
Vicentinho rebateu:
“O fato é que os problemas da saúde só aumentam. Como governador, eu vou cuidar pessoalmente da saúde. A pauta saúde não sairá do nosso gabinete a partir de janeiro do ano que vem.”
Dorinha classificou as críticas como “problema de informação”.
“Lamentavelmente, tem um problema até de informação. O governo atual fecha esse ano os seus 5 anos de gestão. Propor levar a Secretaria de Saúde para o HGP mostra um erro de compreensão.”
Du Pereira questionou Laurez Moreira sobre as exonerações no período em que ele ficou 90 dias como governador interino. Laurez negou demissão em massa e defendeu o concurso como única porta de entrada.
“No meu governo, eu vou fazer o que eu fiz os 90 dias. 90 dias sem corrupção, 90 dias sem a Polícia Federal na porta da delegacia. No meu governo, a maneira de entrar no serviço público vai ser através do concurso. No meu governo não vai ter apadrinhamento político.”
Du Pereira rebateu:
“No seu governo, famílias choraram, perderam o emprego de forma drástica, do dia para a noite. O Tocantins precisa de pessoas novas.”
O Professor Witer Naves questionou Ataídes sobre a construção de 50 escolas de tempo integral, estimando custo de quase R$ 600 milhões. Ataídes respondeu:
“Aqui nós temos três candidatos que fazem parte do sistema. Só esses três cânceres tiram do nosso povo R$ 2,4 bilhões por ano. Fazer escola, parte física, isso é coisa muito simples. Nós temos hoje em torno de 60% dos nossos professores contratados temporariamente. Isso é uma barbaridade.”
Witer retrucou na réplica:
“50 unidades de escola de tempo integral, segundo a União, o TCU, vai custar 11,4 milhões cada. Multiplicando isso, vai dar quase 600 milhões, mais de meio bilhão. Fundo de investimento imobiliário, gente do Tocantins, é dívida pública. 30 anos assinando um contrato dizendo que nós vamos pagar durante 30 anos escola que o estado tem como obrigação.”
Ataídes, na tréplica, respondeu:
“Se a gente economizar esses 2,4 bilhões que vai para corrupção, favores políticos e má gestão, nós já vamos poder construir muitas escolas de tempo integral. O grande desafio do nosso governo vai ser a parte humana, vamos ter que fazer concursos públicos, valorizar os nossos professores.”
Na rodada seguinte, Laurez perguntou a Witer como fomentar a economia e diminuir a dependência do emprego público. Witer respondeu:
“No mundo capitalista que nós vivemos hoje, no mundo informacional, só se ganha dividindo, concentrando riqueza. Nós vamos provocar mudanças substanciais, porque nós vamos distribuir.”
Laurez rebateu:
“De todos os homens que assumiram o governo do estado do Tocantins, Laurez Moreira foi o que menos exonerou nesse estado. Foram 1.200 pessoas. Hoje nós somos um grande exportador de soja, de milho. Por outro lado, nós importamos produtos que a gente poderia industrializar aqui.”
Professora Dorinha perguntou a Du Pereira como o governo do estado pode levar desenvolvimento aos menores municípios. Du respondeu:
“O nosso interior do Tocantins realmente precisa de muito desenvolvimento. As obras inacabadas que tem no nosso estado, chamados elefantes brancos, precisam ser refeitas. Tem obras aí há mais de 20 anos paradas.”
Na tréplica, Du Pereira criticou os candidatos com longa trajetória:
“A cada dois anos tem eleições no Brasil. O tocantinense se ilude e continua na mesmice. O Du Pereira veio para fazer a diferença. Quem tá despreparado é quem pegou ali uma caneta e fez uma demissão em massa, não sou eu.”
Após sentir-se ofendida por Ataídes, a Professora Dorinha usou o direito de resposta:
“Quando a referência é desrespeitosa a cada um de nós, ela mostra o nível de desequilíbrio. E não é porque eu sou mulher que eu vou aceitar qualquer tipo de desrespeito. Discutir, debater, apresentar posições diferentes, eu não tenho nenhuma dificuldade de fazer esse enfrentamento, mas peço respeito e nível de debate.”
Temas sorteados
Vicentinho Júnior falou de infraestrutura e criticou a perda do traçado da ferrovia Fiol, que tirou a conexão de Figueirópolis.
“Faltou um estadista por nome, por vezes de José Wilson Siqueira Campos. Tirou-se de Figueirópolis, da região sul do estado, o nosso maior potencial logístico de um hub para o estado do Tocantins.”
Du Pereira, sobre meio ambiente, defendeu investimento no combate aos incêndios.
“O Tocantins tem um histórico de um estado com o maior número de queimadas do norte do Brasil todos os anos. O Tocantins precisa urgentemente de um helicóptero ou de um avião para combater os pequenos incêndios, que isso transforma em grandes incêndios.”
Ataídes Oliveira, sobre agronegócio, defendeu redução tributária e industrialização.
“O agronegócio é a minha vida. Eu vim do cabo da enxada. Nós temos que ter uma redução de carga tributária, estradas boas, energias boas, acabar com essa burocracia, um crédito acessível para quem produz. Nós precisamos trazer grandes empresas para cá para agregar valor aos nossos produtos. Nós não podemos continuar vendendo commodities.”
A Professora Dorinha, sobre economia, defendeu parcerias público-privadas, mas foi taxativa contra aumento de impostos.
“As parcerias privadas, regimes de concessão, são soluções para quando nós precisamos ganhar tempo. Hoje nós temos a BR-153 num processo de duplicação que tem já os seus pedágios, e o tocantinense está pagando sem ter o benefício da duplicação. Nós somos contra aumento de impostos e de taxas.”
Witer Naves, sobre saúde, relatou a própria experiência no HGP.
“Há menos de 40 dias eu fiz uma cirurgia no Hospital Geral de Palmas. Foi 15 minutos de cirurgia, eu demorei 5 meses. 5 meses, gente tocantinense, para ter essa cirurgia eletiva. O hospital de Augustinópolis precisa do mesmo equipamento que o Hospital de Palmas tem.”
Laurez Moreira, sobre segurança pública, anunciou delegacias especializadas, concurso anual para a PM e vigilância eletrônica.
“Hoje nós temos uma falta de 50% de delegados para ocupar as delegacias. Nós não temos policiais em quase 80 municípios. Isso é um total desrespeito à nossa gente. No meu governo, nós vamos ter as delegacias especializadas, vamos fazer concurso na PM anual, implantar vigilância eletrônica, que é um custo relativamente baixo.”
Perguntas dos jornalistas
Arnaldo Filho (AF Notícias) questionou a Professora Dorinha sobre saúde; ela prometeu a conclusão do Hospital de Araguaína.
“A previsão é que chegue ao final desse ano em torno de 90% da obra concluída e no início do próximo ano a obra será concluída e deverá entrar em funcionamento. É um hospital grande, com mais de 400 leitos.”
Maju Cotrim (Gazeta do Cerrado) perguntou a Vicentinho sobre infraestrutura; ele citou projetos e criticou a falta de licenciamento ambiental na TO-010.
“Quando eu vejo a necessidade da nossa TO-010, por falta de licenciamento ambiental apresentado pelo governo, não se pode discutir a sua pavimentação. Fiz virar realidade a reforma e ampliação do aeroporto de Araguaína, a ponte de Chambioá, a BR-242, a BR-010.”
Ramon Flauber (Sou de Palmas) perguntou a Witer Naves sobre educação; ele citou o adoecimento dos professores e a evasão escolar.
“Nós estamos falando dos professores, professores que hoje estão adoecidos. Este ano foram três professores que suicidaram. Três. Isso é um problema gravíssimo. Nós precisamos fazer uma política de permanência ao aluno, garantindo bolsa para que ele vá para a escola. Fazer escolas no estado de Tocantins é obrigação do estado tocantinense, não é para iniciativa privada.”
Fátima Fernandes (Portal Estilo) perguntou a Ataídes sobre feminicídio e violência contra a mulher. Ele apontou o déficit de policiais e a presença de facções.
“O PCC e o Comando Vermelho tá aqui dentro do estado. Nós temos um déficit hoje de 5.000 policiais militares. Nós só temos 100 policiais civis, nós deveríamos ter 2.500. Nós temos 72 cidades que não tem um só policial. É Deus que olha esse estado.”
Landrin Neto (Rede TV) perguntou a Laurez sobre desigualdade de gênero e raça no mercado de trabalho, citando desemprego de 6,4% entre mulheres contra 4,6% entre homens. Laurez respondeu:
“Eu sempre fui uma pessoa muito preocupada com as pessoas menos favorecidas. Quando eu fui eleito prefeito de Gurupi, a cidade não tinha nenhuma creche. Construí seis no meu mandato. É inadmissível que uma mãe que precisa sair para trabalhar não tem com quem deixar seu filho. Eu quero criar no Tocantins a quinta frente de desenvolvimento, que é industrializar esse estado.”
Alex Câmara (AVCON) perguntou a Du Pereira sobre agronegócio e meio ambiente. Du respondeu:
“O agronegócio do Tocantins está deixado, esquecido. Os nossos produtores estão sem investimentos, sem financiamentos. O Tocantins precisa de uma indústria para prensar os nossos grãos aqui, para produzir etanol, fazer aqui o nosso óleo de soja, porque o nosso grão sai do nosso estado pagando frete e volta em forma de líquido para nós consumirmos pagando frete novamente.”
No fim do bloco, Vicentinho Júnior usou o direito de resposta após ser comparado a “câncer” por Ataídes.
“O mais próximo que o nosso plano de governo chega da palavra câncer é os investimentos necessários que nós faremos para ampliar e melhorar os serviços oncológicos no estado de Tocantins. Eu não quero que em nenhum dia no nosso estado um paciente oncológico seja mandado para a sua casa tarde da noite, porque o HGP se encontra mais de uma semana sem energia por falta de uma pecinha.”
Considerações finais
Ataídes Oliveira pediu responsabilidade ao eleitor.
“Eu nunca vivi de política, não vivo de política e jamais eu vou viver de política. Eu sou um empresário gerador de emprego. Hoje eu não vou lhe pedir o seu voto. Hoje eu vou pedir que você tenha responsabilidade com seu voto, que pesquise a vida de cada candidato antes de votar no dia 4.”
Laurez Moreira apelou para a construção de um Tocantins sério.
“Nós queremos construir um Tocantins sério, um Tocantins que seja respeitado. Eu fui prefeito de Gurupi e tenho muito orgulho do que eu fiz lá. Procura o povo de Gurupi: o que foi Gurupi antes e depois de Laurez Moreira. Eu venho do sofrimento, da dificuldade. Tudo que eu conquistei foi com muita luta e com muita determinação.”
A Professora Dorinha defendeu propostas realizáveis e o combate à violência contra a mulher.
“As propostas eleitorais têm que ter, no mínimo, a condição de ser realizadas. É muito fácil fazer propostas inexequíveis, sem condição de serem cumpridas. Não posso deixar de, como mulher, falar sobre a questão da violência contra a mulher. Os números são absurdos no Tocantins.”
Du Pereira apresentou a Central 60+ e a redução das tarifas de energia.
“Temos a Central 60 mais, que vai ser a primeira do Brasil implantada no Tocantins. Vai cuidar dos nossos idosos, é um programa parecido ao Conselho Tutelar, só que para idosos. Baratear as tarifas da nossa energia vai ser a primeira pauta do meu governo. Estou aqui para ser o governador mais novo eleito por voto popular desse estado. O nosso lema é renovar para desenvolver.”
Vicentinho Júnior destacou o plano de governo construído no estado.
“O tocantinense que construiu um plano de governo não atrás de uma mesa e um gabinete de ar condicionado gelado, mas andando pelos 139 municípios desse estado, ouvindo as pessoas. Se tem alguém que ainda não sabe como fazer 50 escolas no Tocantins, não se preocupem: a partir de janeiro, no governo Vicentinho, nós mostraremos como se faz. A saúde é pauta pessoal, não vai sair do gabinete do governador. Moro do lado do HGP e se acostume a ver um governador às madrugadas andando pelos corredores desse hospital.”
Witer Naves encerrou se apresentando como o único candidato de esquerda.
“Todos os candidatos que aqui estão são da direita e eu sou o único candidato legitimamente de esquerda. Dois caminhos apenas existem nesse Tocantins: o caminho do velho e o caminho que nós desejamos para o nosso estado, um caminho novo, que coloca a gente tocantinense como centralidade do nosso plano de governo.”
O que você precisa saber
- Primeiro debate do 1º turno reuniu seis candidatos em Palmas, na terça-feira (18)
- Embate mais acirrado: Ataídes Oliveira e Vicentinho Júnior trocaram acusações sobre finanças e formação
- Saúde foi o tema mais recorrente, com críticas às filas do SUS e promessas de conclusão de hospitais
- Segurança pública ganhou destaque: déficit de policiais, feminicídio e presença de facções
- Eleição está marcada para o dia 4 de outubro
Fontes: Primeiro Grande Debate Eleitoral 2026 — Record News / Rede Hits FM

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